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Demografia de um fragmento de Floresta Ombrófila Mista localizada no Planalto Sul Brasileiro.
Alyne Regina Ruggiero, Lauri Amândio Schorn, Tatiele Anete Bergamo Fenilli

Última alteração: 2016-10-04

Resumo


Atualmente, os remanescentes de Floresta Ombrófila Mista (FOM) ou Floresta de Araucárias existentes no Brasil encontram-se drasticamente reduzidos, contendo hoje uma cobertura florestal remanescente de aproximadamente 29% em Santa Catarina. Para que esta tipologia florestal seja efetivamente conservada e continue fornecendo ao homem seus benefícios tanto diretos quanto indiretos, é necessário que seja gerado conhecimento a cerca da estrutura e dinâmica desta floresta. Desta forma, a distribuição diamétrica surge como um forte indicador da estrutura florestal, que quando aliado a sucessivas medições da floresta, se torna também uma poderosa ferramenta na avaliação da dinâmica de florestas tanto nativas quanto plantadas. Assim sendo, o objetivo deste trabalho foi estudar a estrutura diamétrica e altimétrica de um fragmento florestal que encontra-se há aproximadamente 40 anos sem intervenção antrópica. O fragmento florestal analisado está localizado no Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil. Localizada no Planalto Serrano Catarinense (50º45'39"W e 27º53'57S), com altitude em torno de 1.017 m.s.n.m. Para análise da vegetação foram alocadas aleatoriamente 20 unidades amostrais de 500 m² cada. Cada unidade amostral foi estratificada verticalmente para fins de levantamento de dados: EV1 – área de 10 m x 50 m, sendo mensurados indivíduos com CAP ≥ a 30 cm; EV2 – área de 10 m x 25 m, sendo mensurados indivíduos com CAP entre 15 a 29,9 cm. Para a análise da estrutura demográfica do estrato arbóreo, foram realizadas as distribuições de frequência de diâmetros e de alturas. Foram elaborados histogramas de frequência, com intervalos de classes determinados a partir da fórmula de Spiegel. A partir destes, foram gerados, a curva de tendência, o ajuste de equação de regressão e o coeficiente de determinação (R²). Na área de estudo foram mensurados um total de 893 ind.ha¹, com uma média dos diâmetros e alturas de 21,52 cm e 15,50 m respectivamente. Nessa distribuição, a maior frequência dos indivíduos ocorreu nas menores classes de diâmetro, evidenciando uma distribuição em J invertido. Essa característica indica que a população do estrato arbóreo encontra-se estável, havendo a gradual substituição de indivíduos adultos por outros mais jovens. A distribuição altimétrica apresentou distribuição normal, apresentando simetria em relação a sua média. Havendo também uma grande porcentagem dos indivíduos presentes nas menores classes de diâmetro, mas com alturas próximas da média, nos demonstra que diversas espécies ali presentes aguardam o surgimento de clareiras para conseguir atingir o dossel da floresta. Esta grande quantidade de indivíduos jovens, com pequenos diâmetros, pode nos ser explicado por diversos fatores, como por exemplo, a exploração madeireira ocorrida em décadas passadas, bem como, o limitado acesso ao dossel que os indivíduos regenerantes têm durante o seu desenvolvimento inicial. Desta forma, a estrutura diamétrica do estrato arbóreo foi decrescente, enquanto que a estrutura altimétrica evidenciou uma distribuição com tendência à distribuição normal.


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