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PERFORMANCE CLOWN E SAÚDE: O PAPEL DOS TRAPAMÉDICOS NA HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE HOSPITALAR NA CIDADE DE BLUMENAU
Paula Sofia da Igreja, Marilda Rosa Galvão Checcucci Gonçalves da Silva

Última alteração: 2016-09-22

Resumo


Este estudo pesquisou a performance clown (atuação do palhaço) enquanto fator de humanização das relações em ambiente hospitalar na cidade de Blumenau. O objeto está voltado para a atuação do grupo Trapamédicos Voluntariado da Saúde, que inicia suas atividades em 2006 no Hospital Santa Isabel, e atualmente realiza visitas semanais também nos hospitais Santo Antônio e Santa Catarina, com uma equipe de cinquenta ‘palhaços médicos’ voluntários. O tema propõe uma reflexão crítica ao modelo hegemônico de desenvolvimento com ênfase no crescimento econômico, sem uma perspectiva mais ampla de valorização do ser humano em outras dimensões: social, cultural, subjetiva. O desenvolvimento na área da saúde não está separado deste contexto e de um formato massificado que reduz seu desenvolvimento à dimensão econômica e saúde à mercadoria. Com o desenvolvimento da sociedade moderna racionalista, vemos o aparecimento da medicina técnico-científica onde o medicamento assume papel privilegiado de intervenção médica, ocorrendo um deslocamento epistemológico e clínico da medicina moderna, de uma arte de curar para uma disciplina das doenças. O modelo mecanicista que as instituições de saúde adotam, além de não promover a saúde integral dos pacientes, também causa o seu adoecimento. Este modelo se opõe ao de humanização, processo que traz a valorização da integridade do sujeito nas relações de atenção à saúde. O método utilizado foi o etnográfico. À distinção do historiador e do sociólogo, o etnólogo entra em contato com seu objeto de pesquisa, “coloca-se o mais perto possível do que é vivido por homens de carne e osso”. (LAPLANTINE, 1989, p. 151). Através da pesquisa de campo pudemos observar a importância do papel dos Trapamédicos no sentido de promover uma ruptura no cotidiano mecanicista, abrindo uma brecha para relações mais humanas e promovendo uma alteração positiva no ambiente na medida que traz à tona para o contexto das relações hospitalares a importância do inusitado, da empatia, do afeto e da alegria. A performance clown em ambiente hospitalar é um espaço relacional de abertura e diálogo. Através do inusitado, provoca estranhamento que tira as pessoas do piloto automático e as conecta com o momento presente. A empatia significa conseguir se colocar no lugar do outro. O afeto refere-se a se colocar em contato com o outro e associado à empatia e à alegria, se dá com a finalidade de promover transformações positivas no ambiente e nas pessoas. A alegria é uma plataforma de transformação, a definimos como resultado da química entre empatia e afeto quando colocamos seres humanos em contato uns com os outros, pois construir-se humano através da alegria é descobrir uma nova forma de saúde.

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