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Floresta Ombrófila Densa De Santa Catarina: A Estrutura Espacial Dos Remanescentes Florestais E Os Atributos Funcionais Das Espécies Arbóreas
Manoela Drews Aguiar

Última alteração: 2016-10-04

Resumo


A fragmentação florestal causa diversas modificações na estrutura, composição e funcionalidade de comunidades vegetais. Atualmente, de forma mais aprofundada, estudos têm avaliado a influência da fragmentação com uma perspectiva funcional das plantas em metacomunidades. Este aprofundamento é essencial em ecossistemas de complexa biodiversidade e em acelerada degradação, como é o caso das florestas tropicais. Dessa forma, neste trabalho, avaliou-se a influência da estrutura espacial de remanescentes florestais sobre um conjunto de atributos funcionais das espécies arbóreas mais abundantes da Floresta Ombrófila Densa de Santa Catarina (FOD). Ao considerar que as espécies mais abundantes da FOD podem ser agrupadas por compartilharem atributos similares e que esses grupos responderão aos diferentes graus de fragmentação, estabelecemos como objetivos deste trabalho (i) descrever a condição de fragmentação da FOD em Santa Catarina por meio de métricas de paisagem, (ii) agrupar funcionalmente as espécies arbóreas mais abundantes da FOD e avaliar a influência dos graus de fragmentação sobre a abundância dos grupos funcionais identificados. Para isso, calcularam-se métricas de paisagem baseando-se em 202 unidades amostrais do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC) e determinaram-se as áreas mais e menos fragmentadas utilizando um cluster construído com as métricas de paisagem mais explicativas dos dados funcionais. Para a descrição dos atributos funcionais (altura máxima (hmáx), síndrome de dispersão, fenologia foliar (FF), densidade da madeira (SSD), área foliar específica (SLA) e conteúdos de matéria seca (LDMC), nitrogênio (LNC) e fósforo foliar (LPC)) foram selecionadas as 20 espécies arbóreas mais abundantes da base de dados do IFFSC em toda área de estudo; para o agrupamento funcional utilizou-se um dendrograma. As análises para o agrupamento funcional envolveram dendrogramas, análise de variância, tabela de contingência e ordenação; os modelos para estudar a influência das métricas de paisagem na abundância dos grupos funcionais foram construídos por meio de regressão linear (GLS). Apesar dos dados indicarem uma maior fragmentação nas microrregiões de Itajaí, Tubarão, Criciúma e Ituporanga, de forma geral, a área de FOD estudada ainda apresenta uma paisagem com a presença de remanescentes grandes e conectados entre si. Foi possível identificar quatro grupos funcionais com estratégias de vida distintas. A abundância do grupo ‘anemocóricas de intermediária eficiência na aquisição e conservação de recursos e de fenologia foliar variada’ e do grupo ‘zoocóricas aquisitivas perenifólias’, foi significativamente afetada pela estrutura da paisagem, ao contrário dos outros dois grupos (‘zoocóricas conservativas perenifólias’ e ‘zoocóricas de intermediária eficiência na aquisição e conservação de recursos e de fenologia foliar variada’) que mantiveram sua abundância independente das condições de fragmentação.


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