Expulsão do paraíso

  • Armando de Melo Lisboa

Resumo

Este trabalho visa descortinar o período de germinação da reflexão econômica moderna, a qual no final do mesmo desabrocha, apresentando-se, primeiramente, como “Aritmética Política”, cálculo a serviço do Rei, um saber para o Estado. Aqui veremos o desenvolvimento da oposição entre o homem e a cidade, entre o interesse privado e o da polis, que já se manifestava no mundo grego. Neste contexto de rupturas que levam do tomismo/holismo antigo ao atomismo/individualismo moderno, o econômico se desincrusta do tecido social e assume sua face atual, impondo-se a conflituosa dinâmica em que o enriquecimento privado se emancipa e contrapõe-se ao interesse público. Assim, expulsa do Paraíso – não por nenhum anjo transcendente, mas pelos desdobramentos fortuitos da história humana – e presa à vida de escassez (conceito derivado da concepção econômico-teológica que professa a insaciabilidade infinita do desejo humano), a economia vai se apresentar como ciência desoladora. É buscando responder às crescentes tensões aqui geradas, e reconciliá-las, que Adam Smith erguerá sua “Riqueza das Nações”, centrada no metafórico e epifânico conceito da mão invisível. Entre os fatores que impulsionaram este processo, aqui se examinam três deles.

Código JEL | D31; B50; P17.
Publicado
Set 22, 2016
Como citar
LISBOA, Armando de Melo. Expulsão do paraíso. Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional, Blumenau, v. 4, n. 1, p. 006-029, set. 2016. ISSN 2317-5443. Disponível em: <https://proxy.furb.br/ojs/index.php/rbdr/article/view/5770>. Acesso em: 22 maio 2022. doi: http://dx.doi.org/10.7867/2317-5443.2016v4n1p006-029.
Seção
Artigos

Palavras-chave

Economia moderna; Estado; individualismo; interesses privados; riqueza privada.