A “Síndrome de Ulisses” e a Medicalização dos Movimentos Migratórios

José Carlos Loureiro da Silva, norma sueli Padilha, Marcelo Lamy

Resumo


As migrações deixam marcas indeléveis naqueles que as empreendem, sofrendo o imigrante vários lutos causados pela perda de valores de imenso significado para sua vida. Apesar de lei alguma jamais ter conseguido coibir movimentos migratórios, constata-se que países de destino tentam, cada vez mais, impedir a entrada de estrangeiros em seus territórios, exacerbando o sofrimento dessas pessoas. Atualmente foi detectada em imigrantes uma nova síndrome, pioneiramente descrita pelo psiquiatra Joseba Achoteguy, denominada Síndrome de Ulisses, alusão ao mítico herói grego da Guerra de Troia. Ocorre que a indústria farmacêutica, visando lucro, insiste em transformar essa síndrome em uma nova doença, buscando a criação de novos fármacos para seu tratamento. Isso é contestável, haja vista o risco dessa novel patologia mascarar o fato de  sua etiologia ser somente reflexo de más políticas públicas e também o de se transformar problemas migratórios em elementos a serem farmacologicamente controlados. Neste sentido, objetiva esta pesquisa, por meio de revisão bibliográfica multidisciplinar, compreender este fenômeno, diferenciar síndrome de doença e analisar as tentativas de medicalização que se sobrepõem à solução do problema pela via de políticas públicas. 


Palavras-chave


Migrações; Síndrome de Ulisses; Medicalização. Estresse Migratório

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