EFEITOS DA DISPERSÃO GEOGRÁFICA SOBRE TAXAS DE FRANQUIA: UM ESTUDO COM REDES FRANQUEADAS NO BRASIL

Bianca Maria da Silva, Eugênio José Silva Bitti, Vivian Lara dos Santos Silva

Resumo


Esse artigo investiga a relação entre a dispersão geográfica e taxas de franquia em redes franqueadas operando no Brasil. Essas organizações normalmente cobram de franqueados uma taxa fixa inicial no ato da compra da franquia, além de, normalmente, praticarem royalties contínuos cobrados sobre o faturamento bruto de cada unidade franqueada. O presente estudo adota o framework da teoria da agência, assumindo que a dispersão geográfica em redes de franquias eleva a complexidade e, consequentemente, os custos de monitoramento. Na presença de monitoramento insuficiente, problemas de comportamento indesejado de franqueados podem surgir. Tais problemas poderiam afetar tanto o fluxo de caixa da rede em decorrência da queda no faturamento das unidades – e, por conseguinte, o pagamento de royalties – como o próprio valor da marca da rede franqueada em função da queda na qualidade de atendimento, por exemplo. Este quadro pode levar as redes franqueadas a adotarem maiores incentivos ao bom comportamento de franqueados; por exemplo, praticando taxas de franquia mais reduzidas. No entanto, mesmo em presença de uma elevada dispersão espacial das unidades, esse efeito poderia ser moderado por características da operação que permitissem monitoramento à distância mais eficiente. Por exemplo, em redes de varejo, o giro de estoques poderia ser usado como indicador de desempenho em vendas. O estudo então desenvolve e testa um modelo econométrico para estimar o efeito da dispersão geográfica e de características das redes quanto ao monitoramento à distância sobre o setup das taxas fixas e variáveis praticadas por redes de franquia operando no Brasil. Um total de 376 redes associadas à Associação Brasileiras de Franchising (ABF) são investigadas em uma análise cross-section tendo como base o ano de 2011. Os resultados apresentam evidências de que redes franqueadas mais dispersas tipicamente praticam taxas de royalties mais baixas. Por outro lado, certas características reduzem este efeito tais como a presença de estoques nas unidades, maior nível de automação nas unidades e uma maior proporção de lojas posicionadas em shopping centers. No entanto, para as taxas fixas os resultados não são conclusivos. O estudo também constatou que as taxas de franquias fixas e variáveis não apresentam efeito substitutivo entre elas, ou seja, não são inversamente proporcionais, o que indica uma diferenciação do cenário brasileiro em relação a outros países.


Palavras-chave


Franchising; Royalties; Taxas de Franquia; Custos de Monitoramento.

Texto completo:

DOI:10.4270/ruc.2017426

Referências


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING – ABF (2015). Disponível em: http://www.portaldofranchising.com.br/numeros-do-franchising/evolucao-do-setor-de-franchising. Acesso em: 05/07/2016.

BAENA, V. European franchise expansion into Latin America. Management Research Review, v. 28, n. 2, p-149-165. 2015.

BARCELLOS M. D., TEIXEIRA C. M., VENTURINI J. C. Personal values associated with political consumption: an exploratory study with university students in Brazil. International Journal of Consumer Studies, v. 38, p. 207-216, 2014.

BARTHÉLEMY, J. Opportunism, knowledge, and the performance of franchise chains. Strategic Management Journal, v. 29, n. 13. 2008.

BHATTACHARYYA, S.; LAFONTAINE, F. Double-sided Moral Hazard and the Nature of Share Contracts. The RAND Journal of Economics, v. 26, p. 761-781, 1995.

BITTI, E. J. S.; AMATO NETO, J. AQUINO, A. C. B. O Setor de Franchising no Brasil: Identificando Grupos Estratégicos pela Ótica da Teoria da Agência e pela Visão de Recursos Escassos. Revista Organizações em Contexto, v. 11, n. 22. 2015.

BERNARD, D. A. Franchising estratégico: como obter alavancagens e sinergias por meio da taxa inicial e dos royalties. Revista de Administração de Empresas, v. 44, n. 4. 1993.

BRICKLEY, J.A.; DARK, F.H. The choice of organization form: the case of franchising. Journal of Financial Economics, 1987.

BRICKLEY, J.A.; Royalty rates and upfront fees in share contracts: Evidence from franchising. Journal of Law, Economics & Organization, v. 18, p. 511–535, 2002.

BROWNELL, P.; MERCHANT, K. A. The budgetary and performance influences of product standardization and manufacturing process automation. Journal of Accounting Research, v, 28, p. 388-397, 1990.

CARNEY, M; GEDAJLOVIC, E. Vertical integration in franchise systems: agency theory and resource explanations. Strategic Management Journal, v.12, n. 8. 1991.

CASTROGIOVANNI, G. J.; COMBS, J. G.; JUSTIS, R. T. Shifting Imperatives: An Integrative View of Resource Scarcity and Agency Reasons for Franchising. Entrepreneurship Theory and Practice, p. 23-40, 2006.

CHEN, S.; WANG, S.; YANG, H. Spatial Competition and Interdependence in Strategic Decisions: Empirical Evidence from Franchising. Economic Geography, v. 91, p. 165-204, 2015.

CLIQUET, G.; CROIZEAN, J.-P. Towards plural forms, franchising/company-owned systems, in the French cosmetics retail industry. International Journal of Retail & Distribution Management, v. 30, n. 5, p- 238-250. 2002.

COMBS, J.G.; MICHAEL, S.; CASTROGIOVANNI, G. Franchising: a review and avenues to greater theoretical diversity. Journal of Management, n. 30, p. 907-931, 2004.

COMBS, J.G. Using Cases to Discover Theory. The Case of the Poland-Based Restaurant Operator. Cornell University, n. 49, p. 450-453, 2008.

CROONEN, E. P. M.; BRAND, M. J. Antecedents of franchisee responses to franchisor-initiated strategic change. International Small Business Journal, nl. 33, p. 254-276, 2015.

DANT, R. P.; PERRIGOT, R.; CLIQUET, G. A cross-cultural comparison of the plural forms in Franchise networks: United States, France, and Brazil. Journal of Small Business Management, v. 46, n. 2. 2008.

DE CASTRO, L. M.; MOTA, J.; MARNOTO, S. Toward a relational perspective of franchising chains. Service Business, v. 3, n. 1. 2009.

DESAI, P.S.; SRINIVASAN, K. Aggegate versus Product-Specific Pricing: Implications for Franchise and Traditional Channels. Journal of Retailing, v. 72, p.357-382, 1996.

DOHERTY, A. M.; CHEN, X.; ALEXANDER, N. The franchise relationship in China: agency and institutional theory perspectives. European Journal of Marketing, v. 48, p. 1664-1689, 2014.

FAÇANHA, L. O.; RESENDE, M.; CARDOSO, V.; SCHRÖDER, B. H.. Survival of new firms in the Brazilian franchising segment: an empirical study. The Service Industries Journal, v. 33, p. 1089-1102, 2013.

FERNÁNDEZ, B. L; GONZÁLEZ-BUSTO, B; CASTAÑO Y. A. The Dynamics of growth in Franchising. Journal of Marketing Channels, v. 20, p. 2-24, 2013.

FLADMOE-LINDQUIST, K.; JACQUE, L. Control modes in international service operations: the propensity to franchise. Management Science, v. 41, p. 1238-1249, 1995.

GARG, V. K.; RASHEED, A. A. International multi-unit franchising: An agency theoretic explanation. International Business Review, v. 12, n. 3, p- 329-348. 2003.

GONZALEZ-DIAZ, M.; SOLIS-RODRIGUEZ, V. Why do entrepreneurs use franchising as a financial tool? An agency explanation. Journal of Business Venturing, v. 27, v. 3. 2012.

GUJARATI, D. Econometria básica. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2006.

HUANG, Z. Bargaining, Risk and Franchising Coordination. Computers & Operations Research, v. 24, p. 73-83. 1997.

JAYACHANDRAN, S.; KAUFMAN, P.; KUMAR, V.; HEWETT, K. Brand licensing: What drives royalty rates? Journal of Marketing, v. 77, n. 5. 2013.

JENSEN, M.; MECKLING, W. Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, v.3, n. 4. 1976.

KAUFMANN, P. J.; DANT, R. The pricing of franchise rights. Journal of Retailing, v. 77, n. 4, p- 537-545. 2001.

KALNINS, A.; LAFONTAINE, F. Multi-unit ownership in franchising: evidence from the fast-food industry in Texas. Rand Journal of Economic, v.35, n.4, p- 747-761. 2004.

KIDWELL, R. E.; NYGAARD, A. A Strategic Deviance Perspective on the Franchise Form of Organizing. Entrepreneurship Theory and Practice, p. 467-482, 2011.

LAFONTAINE, F. Agency Theory and Franchising: Some Empirical Results. RAND Journal of Economics, v.23, p. 263–283, 1992.

LAFONTAINE, F.; SHAW, K. The dynamics of Franchise Contracting: evidence from panel data. Journal of Political Economy, v.107, p. 1041-1080, 1999.

LAL, R. Improving Channel Coordination Through Franchising. Marketing Science, v.9, n.4. 1990.

LUFT, J.; SHIELDS, M. D. Mapping management accounting: graphics and guidelines for theory-consistent empirical research. Accounting, Organizations and Society. v.28. n.2. 2003.

MARUYAMA M., YAMASHITA Y. Franchise Fees and Royalties: Theory and Empirical Results. Review of Industrial Organization, v.40, p. 167-189, 2012.

MELO, P.L.R.; ANDREASSI, T. Publicação científica nacional e internacional sobre franchising: levantamento e análise do período 1998-2007. Revista de Administração Contemporânea (RAC), v.14, n.2, p. 268-288, 2010.

MICHAEL, S. C. Investments to Create Bargaining Power: The Case of Franchising. Strategic Management Journal, v.21, n.4, pp-497-514. 2000.

MILITELLI, M. Acesso online para controle de vendas, estoques e pedidos. Newsletter ABF, São Paulo, 10/05/2013. Disponível em: http://www.portaldofranchising.com.br/artigos-sobre-franchising/acesso-online-para-controle-de-vendas-estoques-e-pedidos. Acesso em: 05/07/2016.

MILITELLI, M. Contabilidade Empresarial - Benção ou Maldição? Newsletter ABF, São Paulo, 09/05/2013a. Disponível em: http://www.portaldofranchising.com.br/artigos-sobre-franchising/contabilidade-empresarial---bencao-ou-maldicao. Acesso em: 05/07/2016.

PAPKE, L., WOOLDRIDGE, J. Econometric methods for fractional response variables with an application to plan participation rates. Journal of Applied Econometrics, v.11, p. 619–632, 1996.

PAPKE, L., WOOLDRIDGE, J. Panel data methods for fractional response variables with an application to test pass rates. Journal of Econometrics, p. 121–133, 2008.

PERRIGOT, R. Services vs retail chains: Are there any differences? Evidence from the French franchising industry. International Journal of Retail and Distribution Management, v.34, n.12. 2006.

PERRYMAN, A. A.; COMBS, J. Who should owm it? An agency-based explanation for multi-outlet ownership and colocation in plural form franchising. Strategic Management Journal, v.22, p. 368-386, 2013.

PIZANTI, I.; LERNER, M. Examining control and autonomy in the franchisor – franchisee relationship. International Small Business Journal, v.21, n.2, p. 131-159, 2003.

PNUD. Brasil Ranking IDHM Municípios. 2010. United Nations Development Programme. Disponível em: http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0/rankings/idhm-municipios-2010.html. Acessado em Março de 2016. 2013.

POLO-REDONDO, Y; BORDONABA-JUSTE, V.; LUCIA-PALACIOS, L. Determinants of firm size in the franchise distribution system: Empirical evidence from the Spanish Market. European Journal of Marketing, v.45, p. 170-190, 2011.

RUBIN, P. The theory of the firm and the structure of the franchise contract. Journal of Law and Economics, v.21, p. 223–233, 1978.

SEN, K. C. The use of initial fees and royalties in business-format franchising. Managerial and Decision Economics, v.14, p. 175–190, 1993.

SHANE, S. A.; SHANKAR, V.; ARAVINDAKSHAN, A. The Effects of New Franchisor Partnering Strategies on Franchise System Size. Management Science, v.52, p. 773-787, 2006.

SHANE, S. A. Making new franchise systems work. Strategic Management Journal, v.19, 1998.

SHANE, S. A. Hybrid organizational arragements and their implications for firm growth and survival: a study of new franchisors. Academy of Management Journal, v. 39, n. 1, p. 216-234, 1996.

SILKOSET, R.; NYGAARD, A.; KIDWELL, R. E. Differential effects of plural ownership and governance mechanisms in limiting shirkers and free riders. Corporate Ownership and Control, v. 13, n. 2. 2016.

THOMPSON, M.; STANTON, J. A framework for implementing retail franchises internationally. Marketing Intelligence & Planning, v. 28, n. 6, pp- 689-705. 2010.

VAZQUEZ, L. Up-front franchise fees and ongoing variable payments as substitutes: An agency perspective. Review of Industrial Organization, v. 26, p. 445–460, 2005.

WIMMER, B. S.; GAREN, J. E. Moral Hazard, asset specificity, implicit bonding and compensation: the case of franchisng. Economic Inquiry, v. 35, p. 544-554, 1997.

WINTERS, P.; ESSAM T.; ZEZZA A.; DAVIS B.; CARLETTO, C. Patterns of Rural Development: A Cross-Country Comparison using Microeconomic Data. Journal of Agricultural Economics, v. 61, p. 628–651, 2010.

ZHANG, J. J.; LAWRENCE, B.; ANDERSON, C. K. An agency perspective on service triads: Linking operational and financial performance. Journal of Operations Management, v. 35, p. 56-66, 2015.




DOI: http://dx.doi.org/10.4270/ruc.2017426

Locations of visitors to this page

................................................................................................................................................................................................................................................................

Revista Universo Contábil - ISSN 1809-3337
Rua Antonio da Veiga, 140, Sala D-202
CEP 89012-900, Blumenau, SC, Brasil
Tel.: +554733210938 Fax: +554733228818
e-mail: universocontabil@furb.br